domingo, 14 de outubro de 2018

Jogos Paralímpicos para deficientes da fala

De todas as deficiências, a deficiência da fala é sem dúvida a mais discriminada. 
Ao contrário dos meninos bonitos das cadeira de rodas, que vivem à grande e só conhecem a boa vida dos lugares reservados no estacionamento, rampas de acesso, casas de banho e de uns Jogos Olímpicos só para eles, nós, os deficientes da fala, não temos direito a nada. Para parar com esta injustiça, proponho a inclusão dos Deficientes da Fala nos Jogos Paralímpicos. 

Tal como as actuais modalidades paralímpicas, tratar-se-ia de um conjunto de provas especialmente concebidas tendo em conta as limitações do atleta, sendo verdadeiros incentivos à superação humana. Ou seja, basicamente é pôr-nos a dizer palavras complicadas. 

Assim, as pessoas que trocam os erres pelos guês podem participar nas provas de barreiras, tentando superar difíceis obstáculos como são dizer “prerrogativa” ou “corroborar”. Os sopinhas de massa são perfeitos para as modalidades do lançamento do perdigoto e tiro ao alvo. No entanto, dada a quantidade de gafanhotos que lançam, é altamente desaconselhado que sejam sopinhas de massa a transportar a tocha olímpica. Para os gagos, a prova rainha: a Maratona. Tal como para a maioria das pessoas que corre a maratona, para um gago chegar ao fim da palavra é já uma vitória. Um gago que consiga acabar a palavra “Oftalmotorrinolaringologista” ou “Inconstitucionalissimamente” tem tanto valor e merece tanta admiração como um queniano que vença a corrida de São Silvestre. Além de que fazem tempos semelhantes. 

Finalmente, o Pentatlo, uma prova especialmente pensada para todos aqueles que são fanhosos, sopinhas de massa, não dizem os éles, trocam os erres pelos guês e ainda gaguejam. Tal como o Pentatlo Moderno, este pentatlo tem 5 provas, que consistem em ter o deficiente da fala a tentar dizer as cinco modalidades do Pentatlo Moderno. É uma modalidade duríssima em resistência e perícia, e que muito provavelmente vai ligar os Jogos de Verão aos Jogos de Inverno, pois ter “Natação”, “Hipismo”, “Ciclismo”, “Tiro” e “Corrida” ditas por um tipo que é fanhoso, gago, cicioso, que troque os erres pelos guês e não diga os éles, é coisa para começar no Verão e terminar depois do Natal.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Hashtags

A Internet está a mudar a maneira como comunicamos. Hoje em dia qualquer mensagem ou publicação tem de ter hashtag. Eu decidi que quando morrer o meu obituário também vai ter hashtags
Como não sou católico, em vez da cruz preta, o meu obituário vai ter outro símbolo; um símbolo verdadeiramente universal, que apela a todas as raças, credos e religiões: um Smiley triste. Depois, em baixo, estará: 
FALECEU: Jorge André Catarino 
#morte 
#eterna saudade de sua mulher e filhos 
#2soon 
@Cemitério dos Prazeres

Finalmente posso ser ainda mais específico quanto à causa da morte: 
#ataquecardíaco
#Citröen, se morrer atropelado; 
#Lisbonlovers, se morrer atropelado por um Tuk-Tuk; 
Ou então #metoo, se morrer atropelado por uma feminista.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Lava-loiças

O meu lava-loiça parece um lar de idosos, porque a partir do momento em que o pessoal abandona lá os pratos, nunca mais ninguém quer saber deles.

Natação

Estou a aprender a nadar. Inscrevi-me há uns meses na natação e estou a fazer progressos. A prova que já estou a nadar como um golfinho é que no outro dia ia morrendo engasgado com uma palhinha.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Eutanásia

Fiz ontem anos. Graças à AR pude celebrar o facto de ficar mais velho sem ter de me preocupar com a eutanásia.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018